segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dissertação de Mestrado - Novos Modelos de Negócio para a Imprensa Online


Após um longo período de gestação, dá entrada amanhã na secretaria da Escola Superior de Educação de Portalegre, a minha dissertação de Mestrado.

É o culminar de dois anos de trabalho, tanto na fase curricular que sempre se orientou para este tema, como posteriormente, durante o ano "sabático" para a investigação e a escrita destas 90 e poucas páginas.

Dois anos de um grandes esforço pessoal, mas também de uma aprendizagem intensa. Foram novos métodos de trabalho, novos formas de estar, novos autores e um universo aberto ao pensamento livre e construtivo sobre o mundo, e não só o mundo dos Média, sobre o mundo em geral.

Entregue oficialmente amanhã. Seguem-se as merecidas férias académicas.
Sobra-me desejar umas provas públicas sem percalços lá mais para o Outono.

Espero que não fique por aqui, esta relação com o mundo académico, porque com certeza, muito há ainda para debater, investigar, descobrir e criar no que se refere aos Novos Modelos de Negócio para os News Media online.




"Pela primeira vez o New York Times faz mais dinheiro com os leitores do que com a publicidade"


"No mundo dos jornais a fatia da publicidade está a emagrecer e as vendas em banca também. O que não significa que as pessoas tenham perdido o interesse pelas notícias e pelo conteúdo jornalístico de qualidade. E isso salta à vista se olharmos para um dos maiores e melhores jornais do mundo, o The New York Times (NYT). Pela primeira vez, o grupo deste diário, fundado em 1851 em Nova Iorque, encaixou mais dinheiro com os leitores do que com a publicidade.

Os factos são claros como água: nos três grandes jornais americanos do grupo News Media Group – NYT, International Herald Tribune e Boston Globe – o dinheiro oriundo dos anúncios publicitários impressos e online rendeu 220 milhões de dólares (uma queda de 6,6%) no primeiro trimestre deste ano, ao passo que o dinheiro conquistado através das assinaturas do jornal em papel (cujo preço aumentou) e através das assinaturas digitais rendeu 233 milhões de dólares (um aumento de 8,3%) no período homólogo. O grupo de media conta agora com 509 mil assinantes digitais, mais 55 mil que em Março.
“O NYT é, provavelmente, o primeiro grande jornal a ter cruzado esta linha [na qual o dinheiro vindo dos leitores é superior ao dinheiro vindo da publicidade]”, indicou à New York Magazineo analista de media Ken Doctor, do site Newsonomics. “É um momento interessante”.
Isto faz supor, por isso, uma mudança de paradigma, muito necessária à sobrevivência da imprensa mundial. Esta poderá ser a prova de que, se os jornais apostarem em produzir conteúdos de qualidade – que até podem ser adaptados a aplicações para smartphones –, os leitores continuarão a aderir e a pagar por essas informações.
“Há um grande número de pessoas que valoriza aquilo que o Times faz enquanto organização noticiosa, e a sua vontade de pagar é maior do que aquilo que supúnhamos. Há uma alquimia que mistura preços competitivos, acesso a boas aplicações, e o próprio conteúdo. Se isso estiver tudo a funcionar, parece que há um grande número de pessoas que irão pagar por isso”, disse Ken Doctor.
“O afastamento do histórico modelo que dependia muito da publicidade é definitivamente uma coisa boa”, indicou por seu lado o especialista em media Rick Edmonds, do Poynter Institute, em declarações à mesma publicação. “O esforço de assinaturas digitais tem tido mais sucesso que aquilo que desejariam muitas pessoas”, acrescentou.
O NYT é o jornal mais premiado nos Pulitzer Awards, atribuídos nos Estados Unidos, e tem uma audiência estimada de 4,8 milhões de leitores diários."



Ainda que seja prematuro dar a guerra por vencida, são factos destes que necessitamos de receber se queremos acreditar que há futuro para os News Media, um futuro que vá para a além da Publicidade. Um futuro que inclua leitores activos e comprometidos com a qualidade da informação que recebem todos os dias.

Quando há dois anos iniciei o mestrado era inconsequente pensar que os leitores iriam pagar pelas noticias online. O Nytimes.com começa a demonstrar que há um caminho a percorrer nessa direcção, e que o trabalho bem feito encontra feedback nos consumidores.