Vivemos um momento de crise. Ela é global, afecta todos os sectores da economia e os News Media não são imunes a este momento histórico.
Pelo contrário, avaliando aquilo que foi a ultima década, os News Media estão particularmente expostos a este momento adverso.
A quebra do mercado publicitário era já uma realidade antes do inicio da crise e o stress que a Internet e as novas plataformas online criaram no sector já era do conhecimento geral.
A realidade económica que vivemos actualmente apenas precipitou uma conclusão. O modelo de negócio dos "legacy media" não funciona mais.
Não há mais como ignorar a necessidade premente de reestruturar as empresas, de olhar com olhos de ver para os conteúdos, de colocar o leitor no centro de toda a atenção e de lhe cobrar por esse privilégio.
Infelizmente, para as estruturas empresariais, reestruturar significa despedir profissionais.
Pergunto-me, como farão mais e melhores conteúdos os meios desprovidos de profissionais qualificados?
Como vão garantir qualidade e independência?
Como vão no fundo, produzir aquilo que é o âmago do seu negócio?
Ou assumimos de vez que afinal o que os jornais fizeram até agora foi vender páginas de publicidade e que essa história de produzir notícias era só passatempo?
Tenho imensa pena que dois dos meus "objectos de estudo"* se encontrem neste momento em processos de despedimento colectivo e que as suas redacções fiquem mais pobres, mais mal pagas e menos motivadas para construir um futuro, que será, muito provavelmente vivido mais e mais online.
Os conteúdos, a qualidade e a exclusividade dos conteúdos, serão a moeda de troca numa relação meio de comunicação / leitor no ambiente online. A capacidade de criar empatia e relações de confiança, de dialogar com o leitor, de ir de encontro a um público cada vez mais exigente e segmentado, a personalização da informação e a informação direccionada a nichos são as apostas a fazer. Mas que só podem ser feitas com profissionais qualificados, motivados e experientes.
Os cortes anunciados pelos dois jornais levam-nos a crer que caminham noutras direcções. E que, mais uma vez a ditadura dos números cega aqueles que deviam estar a planear o futuro.
Para mim, será interessante analisar o que muda na qualidade / quantidade de conteúdos produzidos e a evolução das assinaturas online e comparar resultados com a estratégia do New York Times.
Afinal, será o modelo freemium a melhor opção? Podemos pedir aos nossos leitores que paguem pelo que lêem?
Penso que sim, que podemos. Mas temos de lhes dar a ler qualidade!
*O Público e o El Pais anunciam despedimentos colectivos.
Sem comentários:
Enviar um comentário