segunda-feira, 26 de março de 2012

Jornalismo, Comunicação e Cultura

“O jornalismo é um negócio e obedece a regras de mercado”, foi com esta declaração incómoda para uma audiência composta por futuros jornalistas que João Canavilhas abriu a sua intervenção nas últimas Jornadas da Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre.
Percebemos ao longo dos últimos anos que existem grupos empresariais que dominam os órgãos de comunicação social e que esses grupos funcionam sob uma logica capitalista: o lucro.
Por isso, e segundo Canavilhas, o Jornalismo de hoje tem de ter um valor de uso para que possa ter um valor de troca – preço – para poder gerar receitas.
Aplicada a qualquer outro produto este é um raciocínio lógico. No entanto, quando aplicado às notícias e ao trabalho jornalístico em geral surgem problemas éticos com os quais a classe profissional ainda não consegue lidar.
A revolução digital e o posterior boom de conteúdos na Internet veio trazer mais que um problema económico para os meios, criou também uma crise de identidade para toda uma classe profissional.
A profissão de Jornalista foi, durante todo o Século XX, mais que uma profissão,  um modo de estar na vida. Um trabalho emocionante, onde se poderia mudar o mundo com uma notícia.
Foi também uma profissão que se colocou sempre perante problemas éticos e que de um modo geral muito reflectiu sobre si, os seus intervenientes e o mundo.
O contacto com as fontes, a investigação e a busca da verdade faziam dos jornalistas pessoas informadas, na sua maioria cultas e atentas ao ambiente que as rodeava.
Nunca antes o resultado do trabalho dos jornalistas foi visto tão claramente como um produto e esse novo facto impõe-nos uma nova e demorada reflexão sobre o que é afinal ser jornalista nos dias de hoje.
Nunca os jornalistas foram trabalhadores conformados numa linha de montagem, hoje são. Cada vez mais confinados às suas secretárias, olhando para a máquina, ouvindo e absorvendo informação que lhes chega em segunda mão.
Esta nova realidade aliada à crescente instabilidade económica faz com que o produto jornalístico seja cada vez mais tratado como um conteúdo e não com a seriedade que uma notícia merece.
Não sou jornalista, apesar de essa ser a minha formação de base e a minha paixão.
Devido à minha experiência profissional olho para os media de um outro ângulo, o empresarial.
Interesso-me especialmente pelos novos modelos de negócio que temos de encontrar se queremos continuar a discutir os media no futuro.
Novos modelos de negócio para os media na Internet será então o fio condutor deste blogue, que surge como bloco de apontamentos na preparação da tese de mestrado e que espera receber contributos.

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