Tenho sentido ao longo dos
últimos anos esta dúvida persistente.
Afinal, porque sentem tanta necessidade os
jornalistas de falar de si, da sua ética, do seu trabalho e porquê tanta preocupação em
definir esse “El Dourado”, a verdade.
A dos factos, a filosófica e depois a jornalística, tudo misturado com um forte
sentido de classe e até mesmo, imbuído de uma espécie de missão.
Ontem, no Fórum Jornalismo e
Sociedade que decorreu em Portalegre, percebi mais uma vez que o problema do
Jornalismo nos dias de hoje é mesmo uma grande crise de identidade. Como
aquelas que se tem quando se atinge a adolescência e se descobre que o mundo
dos adultos, para além de direitos, tem também grandes responsabilidades.
Porque o Jornalismo vive ainda
esta crise identitária e se debate com problemas de princípio: quer adaptar-se
à nova era digital, quer ser mais próximo dos cidadãos, quer mesmo dialogar com eles, mas não sabe ainda como
baixar as defesas da sua fortaleza, ficam, a meu ver coisas muito práticas por
dizer.
Nenhum jornalista está realmente interessado
em falar de negócios. Essa tem sido, por princípio, uma área que não se coaduna
com a profissão.
Somos obrigados a falar desse
tópico de vez em quando, porque sabe-se que estamos em crise – e uma que vai muito
para além das dúvidas de auto-conhecimento.
Mas quando abordamos aqueles que serão
os jornalistas do futuro eles demonstram-se pouco receptivos em percepcionar o
jornalismo como uma actividade empresarial. Diferente das outras, com os seus
próprios princípios e propósitos, mas como todas as outras, a necessitar de sobreviver,
financiar-se e ser, se não lucrativa, sustentável.
Ouve-se todos os dias que as
redacções dos grandes órgãos de comunicação estão a encolher. Para muitos a saída
profissional não será a óbvia. Passará antes por uma série de passos, entre o
trabalho freelance e o
empreendedorismo. Com avanços e recuos, projectos de sucesso e projectos
falhados.
Mas em todos eles haverá um
denominador comum, terão de ser financiados. Fazer bom jornalismo é caro. Mais
que não seja, porque são precisas pessoas para o fazer.
Saber mais sobre como se podem
financiar esse tipo de projectos, o que está a ser feito lá fora, compreender
as alterações por que passamos, é a meu ver, um passo essencial no caminho para
a definição do futuro do jornalismo.
Correndo o risco de parecer tecnocrata,
não haverá espaço para questões filosóficas se não houver estruturas que nos
permitam Ser jornalistas, fazer jornalismo, ser as Instituições credíveis que o
público espera que sejamos.
Novos modelos de negócio para os
media não é apenas uma questão económica, é uma questão estrutural.
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