sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Jornalismo e a idade do Armário.



Tenho sentido ao longo dos últimos anos esta dúvida persistente.

Afinal, porque sentem tanta necessidade os jornalistas de falar de si, da sua ética, do seu trabalho e porquê tanta preocupação em definir esse “El Dourado”, a verdade. 

A dos factos, a filosófica e depois a jornalística, tudo misturado com um forte sentido de classe e até mesmo, imbuído de uma espécie de missão.

Ontem, no Fórum Jornalismo e Sociedade que decorreu em Portalegre, percebi mais uma vez que o problema do Jornalismo nos dias de hoje é mesmo uma grande crise de identidade. Como aquelas que se tem quando se atinge a adolescência e se descobre que o mundo dos adultos, para além de direitos, tem também grandes responsabilidades.

Porque o Jornalismo vive ainda esta crise identitária e se debate com problemas de princípio: quer adaptar-se à nova era digital, quer ser mais próximo dos cidadãos, quer mesmo dialogar com eles, mas não sabe ainda como baixar as defesas da sua fortaleza, ficam, a meu ver coisas muito práticas por dizer.

Nenhum jornalista está realmente interessado em falar de negócios. Essa tem sido, por princípio, uma área que não se coaduna com a profissão.

Somos obrigados a falar desse tópico de vez em quando, porque sabe-se que estamos em crise – e uma que vai muito para além das dúvidas de auto-conhecimento.

Mas quando abordamos aqueles que serão os jornalistas do futuro eles demonstram-se pouco receptivos em percepcionar o jornalismo como uma actividade empresarial. Diferente das outras, com os seus próprios princípios e propósitos, mas como todas as outras, a necessitar de sobreviver, financiar-se e ser, se não lucrativa, sustentável.

Ouve-se todos os dias que as redacções dos grandes órgãos de comunicação estão a encolher. Para muitos a saída profissional não será a óbvia. Passará antes por uma série de passos, entre o trabalho freelance e o empreendedorismo. Com avanços e recuos, projectos de sucesso e projectos falhados.

Mas em todos eles haverá um denominador comum, terão de ser financiados. Fazer bom jornalismo é caro. Mais que não seja, porque são precisas pessoas para o fazer.

Saber mais sobre como se podem financiar esse tipo de projectos, o que está a ser feito lá fora, compreender as alterações por que passamos, é a meu ver, um passo essencial no caminho para a definição do futuro do jornalismo.

Correndo o risco de parecer tecnocrata, não haverá espaço para questões filosóficas se não houver estruturas que nos permitam Ser jornalistas, fazer jornalismo, ser as Instituições credíveis que o público espera que sejamos.

Novos modelos de negócio para os media não é apenas uma questão económica, é uma questão estrutural.

Sem comentários:

Enviar um comentário