quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pagar pelas noticias: algumas acções concertadas da industria



Uma das razões que se apontam para a grande dificuldade em cobrar pelas noticias Online é o facto de se poderem encontrar de forma gratuita, um pouco por todo o espaço virtual.
Ou seja se o Público.pt me cobra pelas noticias do dia, basta-me simplesmente navegar para outro site. Eles são às dezenas, outros jornais, agregadores e blogues. Basta procurar.

Assim sendo, cobrar só seria viável se todos cobrassem. A industria teria de se juntar, montar um Paywall global e esperar que a necessidade de noticias fosse maior do que a pouca disponibilidade para pagar que existe no público em geral.

Esta conspiração de uma industria não seria algo novo. Em 1928 os gestores descobriam que um produto que não se gasta "é uma tragédia para os negócios". A industria das lâmpadas eléctricas, por exemplo,  juntou-se então para, em conjunto, diminuir a "qualidade" do seu produto.
Descobriam que produziam lâmpadas boas de mais, duravam uma vida, logo a procura por lâmpadas estava a diminuir.

Mas não poderia ser apenas uma empresa a tomar a decisão de criar a obsolescência do seu produto, se todos os outros continuassem a fazer lâmpadas duráveis. Todos em conjunto teriam de tomar uma decisão para salvar a industria. Nasceu assim a obsolescência programada dos produtos.

Este será um exemplo extremo e de difícil aplicabilidade nos dias de hoje, no entanto surgem sinais de que a industria está disposta a juntar-se para pensar em soluções globais.

Um dos exemplos será a plataforma Piano Media na Eslováquia. Uma paywall que agrega a maioria dos meios de comunicação do país e que distribui os lucros.  


"Piano has gotten almost all of Slovakia’s major publishers and one TV station to work together, agree on a common paywall, and split revenue." Ken doctor apresenta o modelo no seu artigo http://www.niemanlab.org/2011/10/the-newsonomics-of-piano-media/.

Este talvez seja o exemplo mais completo, em que num país, vários meios se juntaram e ergueram uma paywall total, deixando poucas hipóteses aos seus leitores senão serem assinantes.


Há exemplos menos radicais, como por exemplo a plataforma Kioskoymas.com na vizinha Espanha. Esta plataforma agrega cerca de uma centena de publicações espanholas, entre jornais nacionais, revistas e imprensa regional. Permite aos assinantes construírem pacotes de publicações, criando assinaturas integradas a custos mais convidativos.


Nos E.U.A. surge a Next Issue Media, uma aplicação para Tablets Android que aplica o mesmo conceito, juntando 32 das mais populares revistas norte americanas numa mesma plataforma de acesso a conteúdos pagos.

Será este o caminho? A industria terá pensar numa solução global e integrada?



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