sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Dissertação de Mestrado


Defendi, ontem pelas 11h, a minha Dissertação de Mestrado.

Foi o culminar de muitos meses de trabalho, de um processo de aprendizagem longo mas saboroso.

O Professor Doutor João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior foi o arguente e o trabalho foi avaliado com 17 valores.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Apresentação do Novo Site do Público



[Newsletter recebida hoje pela manhã]

"Caro leitor,


A partir de hoje, o PÚBLICO Online está diferente. Durante mais de um ano, estudámos a fundo o nosso site e as tendências internacionais actuais. Todas as mudanças foram pensadas com um grande objectivo: tornar a leitura do PÚBLICO digital uma experiência melhor e mais fácil.

Agora, quem se regista no novo site (e todos os assinantes estão automaticamente registados) tem:

· Possibilidade de guardar artigos do PÚBLICO para ler mais tarde
· Possibilidade de participar na aprovação e reprovação dos comentários dos leitores, com base num novo sistema de reputação que tem quatro níveis (ver …link)
· Possibilidade de participar activamente nos inquéritos (ver …link)
· Uma área personalizada do leitor, que inclui uma página privada e outra pública (a sua biblioteca, o seu perfil, a sua conta de assinante, o seu nível de reputação e o histórico da sua participação nos comentários e inquéritos do PÚBLICO). Se desejar que o seu site, blogue, Twitter ou Facebook sejam acessíveis a todos os leitores registados, também os pode divulgar
· Promoções especiais da Loja e Quiosque PÚBLICO

Há outras novidades importantes no novo site:

· A navegação também pode ser feita por tópicos, o que aumenta a possibilidade de aprofundar o seu conhecimento nos temas de maior interesse pessoal
· Todos os jornalistas e colunistas do jornal passam a ter uma página com o histórico dos artigos, perfil na primeira pessoa e endereço deemail. Queremos que o diálogo com o leitor seja ainda mais directo
· O Multimédia ganha mais espaço: terá imagens maiores e vídeos com melhor qualidade. E poderá “apagar a luz” para ver um vídeo como se estivesse no cinema
· A opinião passa a ter mais relevância no site
· Recentemente, lançámos uma nova loja de assinaturas, onde é mais fácil assinar o jornal e com mais opções de pagamento

Todas estas novidades representam um grande desafio para nós. Mas há algo que não muda nunca: a procura constante de fazermos jornalismo com rigor e independência.

Contamos com a sua participação."

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sinais dos tempos

http://www.publico.pt/Media/newsweek-anuncia-fim-da-revista-em-papel-1567937

http://www.poynter.org/latest-news/mediawire/192028/newsweek-to-reduce-staff-eliminate-print-edition-as-it-goes-digital-only-in-2013/

Dia da Comunicação na ESEP

O dia da Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre foi uma um belo dia onde se encontraram alunos novos com alunos "velhos".
Onde tivemos oportunidade de conhecer percursos de vida de alguns colegas que trilham a profissão há alguns anos e que partilharam de forma generosa connosco as suas vitórias e derrotas, as suas dificuldades e  ambições, no fundo, a sua visão do que é de facto ser um profissional do jornalismo e da comunicação.

Houve ainda espaço para apresentação de trabalhos finais de cursos de licenciatura e de mestrado. 

Tive a oportunidade de estar presente e de apresentar à audiência a minha tese, naquilo que considero um ensaio geral para a defesa que está para breve.

O Prezi é um bocado tosco e o conteúdo pouco para ilustrar o trabalho feito, mas foi um momento construtivo nesta caminhada que terminará em breve, com a defesa do trabalho feito.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

18 de Outubro "Dia da Comunicação" na ESEP


Mais uma oportunidade para falar sobre o trabalho desenvolvido para a tese de mestrado e também, uma "espécie" de ensaio geral para a defesa que, embora ainda sem data marcada, está para breve.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Público e o El Pais que futuro?


Vivemos um momento de crise. Ela é global, afecta todos os sectores da economia e os News Media não são imunes a este momento histórico. 

Pelo contrário,  avaliando aquilo que foi a ultima década, os News Media estão particularmente expostos a este momento adverso.

A quebra do mercado publicitário era já uma realidade antes do inicio da crise e o stress que a  Internet e as novas plataformas online criaram no sector já era do conhecimento geral.

A realidade económica que vivemos actualmente apenas precipitou uma conclusão. O modelo de negócio dos "legacy media" não funciona mais. 

Não há mais como ignorar a necessidade premente de reestruturar as empresas, de olhar com olhos de ver para os conteúdos, de colocar o leitor no centro de toda a atenção e de lhe cobrar por esse privilégio.

Infelizmente, para as estruturas empresariais, reestruturar significa despedir profissionais.

Pergunto-me, como farão mais e melhores conteúdos os meios desprovidos de profissionais qualificados?

Como vão garantir qualidade e independência?

Como vão no fundo, produzir aquilo que é o âmago do seu negócio?

Ou assumimos de vez que afinal o que os jornais fizeram até agora foi vender páginas de publicidade e que essa história de produzir notícias era só passatempo?

Tenho imensa pena que dois dos meus "objectos de estudo"* se encontrem neste momento em processos de despedimento colectivo e que as suas redacções fiquem mais pobres, mais mal pagas e menos motivadas para construir um futuro, que será, muito provavelmente vivido mais e mais online.

Os conteúdos, a qualidade e a exclusividade dos conteúdos, serão a moeda de troca numa relação meio de comunicação / leitor no ambiente online. A capacidade de criar empatia e relações de confiança, de dialogar com o leitor, de ir de encontro a um público cada vez mais exigente e segmentado, a personalização da informação e a informação direccionada a nichos são as apostas a fazer. Mas que só podem ser feitas com profissionais qualificados, motivados e experientes.

Os cortes anunciados pelos dois jornais levam-nos a crer que caminham noutras direcções. E que, mais uma vez a ditadura dos números cega aqueles que deviam estar a planear o futuro.

Para mim, será interessante analisar o que muda na qualidade / quantidade de conteúdos produzidos e a evolução das assinaturas online e comparar resultados com a estratégia do New York Times.

Afinal, será o modelo freemium a melhor opção? Podemos pedir aos nossos leitores que paguem pelo que lêem?

Penso que sim, que podemos. Mas temos de lhes dar a ler qualidade!


*O Público e o El Pais anunciam despedimentos colectivos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dissertação de Mestrado - Novos Modelos de Negócio para a Imprensa Online


Após um longo período de gestação, dá entrada amanhã na secretaria da Escola Superior de Educação de Portalegre, a minha dissertação de Mestrado.

É o culminar de dois anos de trabalho, tanto na fase curricular que sempre se orientou para este tema, como posteriormente, durante o ano "sabático" para a investigação e a escrita destas 90 e poucas páginas.

Dois anos de um grandes esforço pessoal, mas também de uma aprendizagem intensa. Foram novos métodos de trabalho, novos formas de estar, novos autores e um universo aberto ao pensamento livre e construtivo sobre o mundo, e não só o mundo dos Média, sobre o mundo em geral.

Entregue oficialmente amanhã. Seguem-se as merecidas férias académicas.
Sobra-me desejar umas provas públicas sem percalços lá mais para o Outono.

Espero que não fique por aqui, esta relação com o mundo académico, porque com certeza, muito há ainda para debater, investigar, descobrir e criar no que se refere aos Novos Modelos de Negócio para os News Media online.




"Pela primeira vez o New York Times faz mais dinheiro com os leitores do que com a publicidade"


"No mundo dos jornais a fatia da publicidade está a emagrecer e as vendas em banca também. O que não significa que as pessoas tenham perdido o interesse pelas notícias e pelo conteúdo jornalístico de qualidade. E isso salta à vista se olharmos para um dos maiores e melhores jornais do mundo, o The New York Times (NYT). Pela primeira vez, o grupo deste diário, fundado em 1851 em Nova Iorque, encaixou mais dinheiro com os leitores do que com a publicidade.

Os factos são claros como água: nos três grandes jornais americanos do grupo News Media Group – NYT, International Herald Tribune e Boston Globe – o dinheiro oriundo dos anúncios publicitários impressos e online rendeu 220 milhões de dólares (uma queda de 6,6%) no primeiro trimestre deste ano, ao passo que o dinheiro conquistado através das assinaturas do jornal em papel (cujo preço aumentou) e através das assinaturas digitais rendeu 233 milhões de dólares (um aumento de 8,3%) no período homólogo. O grupo de media conta agora com 509 mil assinantes digitais, mais 55 mil que em Março.
“O NYT é, provavelmente, o primeiro grande jornal a ter cruzado esta linha [na qual o dinheiro vindo dos leitores é superior ao dinheiro vindo da publicidade]”, indicou à New York Magazineo analista de media Ken Doctor, do site Newsonomics. “É um momento interessante”.
Isto faz supor, por isso, uma mudança de paradigma, muito necessária à sobrevivência da imprensa mundial. Esta poderá ser a prova de que, se os jornais apostarem em produzir conteúdos de qualidade – que até podem ser adaptados a aplicações para smartphones –, os leitores continuarão a aderir e a pagar por essas informações.
“Há um grande número de pessoas que valoriza aquilo que o Times faz enquanto organização noticiosa, e a sua vontade de pagar é maior do que aquilo que supúnhamos. Há uma alquimia que mistura preços competitivos, acesso a boas aplicações, e o próprio conteúdo. Se isso estiver tudo a funcionar, parece que há um grande número de pessoas que irão pagar por isso”, disse Ken Doctor.
“O afastamento do histórico modelo que dependia muito da publicidade é definitivamente uma coisa boa”, indicou por seu lado o especialista em media Rick Edmonds, do Poynter Institute, em declarações à mesma publicação. “O esforço de assinaturas digitais tem tido mais sucesso que aquilo que desejariam muitas pessoas”, acrescentou.
O NYT é o jornal mais premiado nos Pulitzer Awards, atribuídos nos Estados Unidos, e tem uma audiência estimada de 4,8 milhões de leitores diários."



Ainda que seja prematuro dar a guerra por vencida, são factos destes que necessitamos de receber se queremos acreditar que há futuro para os News Media, um futuro que vá para a além da Publicidade. Um futuro que inclua leitores activos e comprometidos com a qualidade da informação que recebem todos os dias.

Quando há dois anos iniciei o mestrado era inconsequente pensar que os leitores iriam pagar pelas noticias online. O Nytimes.com começa a demonstrar que há um caminho a percorrer nessa direcção, e que o trabalho bem feito encontra feedback nos consumidores.





sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Jornalismo e a idade do Armário.



Tenho sentido ao longo dos últimos anos esta dúvida persistente.

Afinal, porque sentem tanta necessidade os jornalistas de falar de si, da sua ética, do seu trabalho e porquê tanta preocupação em definir esse “El Dourado”, a verdade. 

A dos factos, a filosófica e depois a jornalística, tudo misturado com um forte sentido de classe e até mesmo, imbuído de uma espécie de missão.

Ontem, no Fórum Jornalismo e Sociedade que decorreu em Portalegre, percebi mais uma vez que o problema do Jornalismo nos dias de hoje é mesmo uma grande crise de identidade. Como aquelas que se tem quando se atinge a adolescência e se descobre que o mundo dos adultos, para além de direitos, tem também grandes responsabilidades.

Porque o Jornalismo vive ainda esta crise identitária e se debate com problemas de princípio: quer adaptar-se à nova era digital, quer ser mais próximo dos cidadãos, quer mesmo dialogar com eles, mas não sabe ainda como baixar as defesas da sua fortaleza, ficam, a meu ver coisas muito práticas por dizer.

Nenhum jornalista está realmente interessado em falar de negócios. Essa tem sido, por princípio, uma área que não se coaduna com a profissão.

Somos obrigados a falar desse tópico de vez em quando, porque sabe-se que estamos em crise – e uma que vai muito para além das dúvidas de auto-conhecimento.

Mas quando abordamos aqueles que serão os jornalistas do futuro eles demonstram-se pouco receptivos em percepcionar o jornalismo como uma actividade empresarial. Diferente das outras, com os seus próprios princípios e propósitos, mas como todas as outras, a necessitar de sobreviver, financiar-se e ser, se não lucrativa, sustentável.

Ouve-se todos os dias que as redacções dos grandes órgãos de comunicação estão a encolher. Para muitos a saída profissional não será a óbvia. Passará antes por uma série de passos, entre o trabalho freelance e o empreendedorismo. Com avanços e recuos, projectos de sucesso e projectos falhados.

Mas em todos eles haverá um denominador comum, terão de ser financiados. Fazer bom jornalismo é caro. Mais que não seja, porque são precisas pessoas para o fazer.

Saber mais sobre como se podem financiar esse tipo de projectos, o que está a ser feito lá fora, compreender as alterações por que passamos, é a meu ver, um passo essencial no caminho para a definição do futuro do jornalismo.

Correndo o risco de parecer tecnocrata, não haverá espaço para questões filosóficas se não houver estruturas que nos permitam Ser jornalistas, fazer jornalismo, ser as Instituições credíveis que o público espera que sejamos.

Novos modelos de negócio para os media não é apenas uma questão económica, é uma questão estrutural.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fórum Jornalismo e Sociedade - Escola Superior de Educação de Portalegre



Comunicação sobre Novos Modelos de Negócio para os Media apresentada por mim,  no Fórum Jornalismo e Sociedade que decorreu hoje no Auditório da Escola Superior de Educação de Portalegre.







Painel: "Que princípios e valores essenciais devem ser preservados no "Next Journalism"?

Novos modelos de negócio para o Jornalismo Online

Mesa: Nicolau Santos (Expresso) e Ângela Mendes (Revista Pormenores)

Sabemos que os media enfrentam nos tempos que correm grandes desafios, e um dos maiores será encontrar um modelo de negócio online que garanta a sua sustentabilidade enquanto estruturas empresariais.
Mas este não é um momento imprevisto: desde o aparecimento da Internet e da expansão do seu uso a nível particular, nos anos 90, que a indústria pressentia a mudança.
A recessão que teve início em 2008 apenas acelerou um processo que já se havia iniciado, segundo autores como Philipe Mayer, nos anos 70, com a queda progressiva da venda de jornais em banca.
Embora as dificuldades se encontrem um pouco por todos os media, a imprensa parece ser o meio que mais dificuldades têm tido a adaptar-se às novas plataformas online.
Gustavo Cardoso afirma que estamos a viver um momento de ruptura.
A par das dificuldades ligadas à adaptação a uma nova linguagem, às metodologias de trabalho impostas pelo aparecimento de novas plataformas, surgem também questões éticas, com as quais ainda estamos a lidar.
A imprensa é ainda afectada pela falência do seu modelo de negócio, modelo esse que funcionou ao longo de décadas e moldou o sector.
Um modelo que não é linear. A maioria dos negócios oferecem um produto ou um serviço e o público escolhe comprar ou não. Mas o jornalismo tem sido pago maioritariamente por meios indirectos.
Os jornais produzem notícias que vendem em banca aos seus leitores, que as compram por um preço simbólico, providenciando aos jornais a moeda de troca que os jornais apresentam aos seus anunciantes, os verdadeiros investidores.
O modelo funcionou durante décadas, atravessou toda a Era Industrial, sendo o jornal em si, enquanto produto manufacturado, um produto acabado dessa mesma Era.
À medida que entramos na Era Digital, este produto começa a tornar-se obsoleto. Assim como o modelo de negócio que o sustém.
As companhias que detêm jornais têm sofrido daquilo a que Theodore Levitt chamou de Marketing Miopia, não percebendo que o seu negócio deveria ser baseado em notícias, conteúdos, informação e não na venda de jornais em banca.
Sabemos hoje que dois dos elementos do triângulo do modelo de negócio da imprensa estão a mudar de comportamento.
Por um lado, os consumidores mostram-se relutantes em pagar por conteúdo online, por outro, os anunciantes encontraram na internet outras plataformas mais apetecíveis para passarem a sua mensagem.
Com a queda expressiva da venda em banca nos últimos anos e com o mercado publicitário em baixa e à procura de meios alternativos, os media encontram-se em dificuldades.
Acelerados pela crise, muitos começaram a apostar mais nas suas plataformas online, embora estas não sejam ainda sustentáveis.
Tradicionalmente, os conteúdos online têm sido oferecidos de forma gratuita.
Por um lado, aquando do aparecimento da internet, este era um mundo novo, que levantava muitas dúvidas, mas quase todos perceberam rapidamente que lá deveriam estar. Inicialmente com versões decalcadas do conteúdo impresso e sem pretensão ao lucro.
Por outro lado, a informação na internet é abundante e fácil de encontrar, logo o seu valor é muito baixo.
Há também uma percepção generalizada de que há falta de qualidade nos conteúdos, que são geralmente resultado daquilo a que se chama shovelware, cópias integrais de artigos impressos e sem recurso a elementos multimédia.
Ainda assim, começaram a surgir modelos de negócio que imputam os custos de produção das notícias ao consumidor.
É o caso do New York Times, com a sua paywall porosa, ou do Público em Portugal, que disponibiliza já um espaço reservado a assinantes.
O aparecimento dos smartphones e de Tablets significou novas aplicações e novas esperanças para o sector.
Não é, no entanto, ainda claro qual o modelo que melhor se aplica a uma imprensa livre e independente de poderes políticos e principalmente de poderes económicos.
As hipóteses avançadas têm sido muitas: O modelo Freemium, a paywall total, o crowdfunding, os micropagamentos, o mecenato, a venda de aplicações para dispositivos móveis, a réplica de antigos modelos baseados na publicidade, ou uma mistura de todos eles, num modelo 360º, como defende João Canavilhas.

Um breve apontamento sobre a imprensa regional:

Porque este modelo de negócio foi também verdade para os jornais regionais, nomeadamente para os de regiões como a nossa.
E em regiões com tão poucos recursos como a nossa, este modelo é, a meu ver, comprometedor da ética, da liberdade de imprensa e até mesmo da obrigação do jornalismo para com a verdade.
Com um tecido empresarial pobre e muito afectado pela crise económica, e com um número de leitores demasiado frágil para interessar a anunciantes de dimensão nacional, os jornais regionais vêem-se muitas vezes dependentes daquilo a que chamamos publicidade institucional.
Os editais dos municípios, os cartazes das festas da terra, os comunicados do tribunal, etc.
Esta relação de dependência tão directa com as instituições de poder, que deveriam vigiar, impede muitas vezes os órgãos regionais de fazerem de forma livre e consciente o seu trabalho.
Qual foi a última grande polémica colocada a nu por um jornal regional? O último caso de corrupção? A última investigação de fundo e realmente incómoda feita pelos meios regionais?
Quando avaliamos as páginas dos nossos semanários vemos realmente coisas relevantes?
Sentimos que cumprem o seu papel de "watchdog" da nossa sociedade?
Muitas vezes é perguntado a jornalistas se são alvo de pressões externas. Na sua maioria a resposta é taxativamente não. E provavelmente nunca o foram.
Porque a dependência de um modelo de negócio ultrapassado é mais subtil, provocando antes a autocensura, os meios regionais limitam-se a si mesmos por motivos económicos, optando por não entrarem em terrenos pantanosos, não melindrar instituições, deixando que os blogues e os anónimos peguem em factos mais incómodos.
A dependência da publicidade é então o primeiro ponto a ser superado, na procura de novos modelos de negócio para os media, em particular para a imprensa regional.
Dividimo-nos ainda sobre se a filosofia de gratuitidade se deve manter ou se os leitores/consumidores devem assumir o custo da produção da informação que recebem.
Mas concordamos todos que os media estão a mudar, que no futuro a maneira como se definem os meios, as plataformas em que teremos acesso aos conteúdos e os próprios conteúdos, serão diferentes.
No entanto, o bom jornalismo tem conseguido sobreviver às alterações do tempo, ao surgimento de novas tecnologias e a internet deverá ser apenas mais uma dessas etapas.
Vivemos uma realidade complexa e o jornalismo sofre pressões de vários sectores; saber como se irão financiar as empresas jornalísticas é essencial para preparar o futuro e definir a profissão.
Só tendo a capacidade de ser sustentável e independente, a imprensa poderá cumprir a sua obrigação para com a verdade e manter-se leal única e exclusivamente aos seus leitores.

Ângela Mendes
angelamendes@pormenores.pt




terça-feira, 24 de abril de 2012

Ecos do International Symposium on Online Journalism in Austin



Aqui 


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Interessante e para ler com mais atenção:


"Are you a young dude interested in news? All else equal, this 
study says you’re a top paywall target"

A new study from the University of Texas explores the interrelatedness between online news use, preference, and intent to pay.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Futuro do Jornalismo - O Fórum em Portalegre




A Escola Superior de Educação de Portalegre irá organizar, no próximo dia 26 de Abril, em parceria com uma equipa de investigadores do CIES-IUL o "Fórum Futuro do Jornalismo".

Mais um debate inserido no projecto Jornalismo e Sociedade  que já passou, entre outras, pela Universidade do Minho e pela Universidade da Beira Interior.

Desta feita, uma das mesas conta também com a minha presença, para versar sobre os novos modelos de negócio para a imprensa na Internet e o importante que é defini-los para preservar os princípios e os valores essenciais no Jornalismo do Futuro.

Estão todos convidados a fazer parte da reflexão.

Fica o programa:

14h00: Abertura e Apresentação do projeto

Luís Cardoso (Diretor da ESEP)
José Barreiros e Susana Santos (organização nacional)
Luís Bonixe (Organização local)

14h30: Mesa 1: O jornalismo é diferente de outras formas de comunicação?

Avelino Bento (Autor do blogue Exdra-Animação. Professor na ESEP)
Joaquim Figueiredo (RP da GNR de Portalegre)
Moderação: Sónia Lamy

15h30: Mesa 2: Que princípios e valores essenciais devem ser preservados no next journalism?

Nicolau Santos (Jornal Expresso)
Ângela Mendes (Revista Pormenores)
Moderação: Luís Bonixe

16h30: Intervenções da assistência

17h00: Comentários finais
Adelino Gomes (Organização nacional)



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Os Elementos do Jornalismo - Questões para reflectir

"Pela primeira vez na história, as notícias são produzidas cada vez mais por empresas fora do âmbito do jornalismo e esta nova organização económica é significativa. Corremos o risco de ver a informação independente ser substituída por interesses comerciais próprios, camuflados de notícias. Se isso acontecer, desaparecerá a imprensa enquanto instituição independente, livre para controlar as outras forças e instituições de poder da sociedade.
(...)uma das questões mais profundas que se colocam à sociedade democrática é a de saber se a imprensa independente sobreviverá.(Kovack & Rosenstiel, 2004:11)

Fórum "Jornalismo e Sociedade" em Portalegre



É já no próximo dia 26 de Abril na Escola Superior de Educação de Portalegre.
Será um momento de reflexão sobre o actual estado do jornalismo e também um momento de excelência para projectar o futuro da profissão.

E não se pode falar do futuro do jornalismo sem se falar na sua sustentabilidade económica. Os novos modelos de negócio na Internet serão um dos pontos focados no painel que terá como tema genérico "Que princípios e valores essenciais devem ser preservados no next journalism?", que contará com a presença de  Nicolau Santos (Expresso) e da minha em representação da Revista Pormenores.

Mais informação aqui http://futurojornalismo.org/np4/69.html

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pagar pelas noticias: algumas acções concertadas da industria



Uma das razões que se apontam para a grande dificuldade em cobrar pelas noticias Online é o facto de se poderem encontrar de forma gratuita, um pouco por todo o espaço virtual.
Ou seja se o Público.pt me cobra pelas noticias do dia, basta-me simplesmente navegar para outro site. Eles são às dezenas, outros jornais, agregadores e blogues. Basta procurar.

Assim sendo, cobrar só seria viável se todos cobrassem. A industria teria de se juntar, montar um Paywall global e esperar que a necessidade de noticias fosse maior do que a pouca disponibilidade para pagar que existe no público em geral.

Esta conspiração de uma industria não seria algo novo. Em 1928 os gestores descobriam que um produto que não se gasta "é uma tragédia para os negócios". A industria das lâmpadas eléctricas, por exemplo,  juntou-se então para, em conjunto, diminuir a "qualidade" do seu produto.
Descobriam que produziam lâmpadas boas de mais, duravam uma vida, logo a procura por lâmpadas estava a diminuir.

Mas não poderia ser apenas uma empresa a tomar a decisão de criar a obsolescência do seu produto, se todos os outros continuassem a fazer lâmpadas duráveis. Todos em conjunto teriam de tomar uma decisão para salvar a industria. Nasceu assim a obsolescência programada dos produtos.

Este será um exemplo extremo e de difícil aplicabilidade nos dias de hoje, no entanto surgem sinais de que a industria está disposta a juntar-se para pensar em soluções globais.

Um dos exemplos será a plataforma Piano Media na Eslováquia. Uma paywall que agrega a maioria dos meios de comunicação do país e que distribui os lucros.  


"Piano has gotten almost all of Slovakia’s major publishers and one TV station to work together, agree on a common paywall, and split revenue." Ken doctor apresenta o modelo no seu artigo http://www.niemanlab.org/2011/10/the-newsonomics-of-piano-media/.

Este talvez seja o exemplo mais completo, em que num país, vários meios se juntaram e ergueram uma paywall total, deixando poucas hipóteses aos seus leitores senão serem assinantes.


Há exemplos menos radicais, como por exemplo a plataforma Kioskoymas.com na vizinha Espanha. Esta plataforma agrega cerca de uma centena de publicações espanholas, entre jornais nacionais, revistas e imprensa regional. Permite aos assinantes construírem pacotes de publicações, criando assinaturas integradas a custos mais convidativos.


Nos E.U.A. surge a Next Issue Media, uma aplicação para Tablets Android que aplica o mesmo conceito, juntando 32 das mais populares revistas norte americanas numa mesma plataforma de acesso a conteúdos pagos.

Será este o caminho? A industria terá pensar numa solução global e integrada?



sexta-feira, 30 de março de 2012

As noticias e a visão desproporcionada do mundo



Esta pequena apresentação fala sobre uma questão que ultrapassa os E.U.A. e que pode bem ser aplicada à nossa realidade.

Quando falamos sobre novos modelos de negócio para os media, alega-se muitas vezes que não podemos cobrar por conteúdos que não têm qualidade, ou exclusividade e que são acessíveis de outras formas.

Repensar a forma como se faz noticias e sobre o que se produzem conteúdos é então um ponto fundamental na definição daquilo que serão os media no futuro.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Conferências: Jornalismo em Tempos de Crise - Fórum de Jornalistas



Programa aqui

Iniciativa que decorre já no próximo sábado dia 31 de Março, na Casa da Imprensa e que reúne diversas personalidades da área do Jornalismo Nacional.

Uma iniciativa para acompanhar com atenção.

Forum de Jornalistas

Noticias lucrativas?

Deixo aqui alguns excertos do texto de Jeff Jarvis escreveu no seu blogue Buzzmachine.
Três ideias para reflectir e que muito se enquadram nesta nova fase da vida dos media.
Afinal as noticias devem ser lucrativas? 
Os jornalistas têm de ser empreendedores e ter visão de mercado quando realizam o seu trabalho?
Ou devem apenas fazer aquilo que fazem melhor: informar sem olhar a quem?

"...many students invariably talk about what they want to do. In my best imitation of a gruff old-timer, I tell them nobody gives a shit what they want to do, save perhaps their mothers. They should care about what the public — their customers — want and need them to do. They need to care about the market if they have any hope of the market sustaining them. That is why they start every term talking with the public they hope to serve. They always come back with surprises."

"In the long run, cynically giving the public only what it thinks it wants will not deliver value and will fade like the fad it must be. I have that much faith in the market."

"The problem is that journalists don’t know shit about business. Culturally, they don’t want to."




Olhando para este gráfico publicado em 28 de Fevereiro pela The Atlantic parece que teremos de descobrir as respostas rapidamente.

Os números são explícitos, mas as leituras que podemos fazer deles são várias e a que Derek Thompson  faz neste  artigo "The Collapse of print Advertising in 1 Graph" são interessantes.

"Call it creative if you want, but this is what economic destruction looks like. Print newspaper ads have fallen by two-thirds from $60 billion in the late-1990s to $20 billion in 2011.

You sometimes hear it said that newspapers are dead. Now, $20 billion is the kind of "dead" most people would trade their lives for. You never hear anybody say "bars and nightclubs are dead!" when in fact that industry's current revenue amounts to an identical $20 billion."

"So the reason newspapers are in trouble isn't that they aren't making lots of money -- they still are; advertising is a huge, huge business, as any app developer will try to tell you -- but that their business models and payroll depend on so much more money."

Afinal qual é o problema? As empresas jornalísticas lucram pouco, ou gastam de mais?
Precisamos afinal de um modelo de negócio que garanta mais ganhos? Um que seja mais eficiente ou um conjunto das suas soluções?

terça-feira, 27 de março de 2012

Twelve New Trends That Will Shape the News You Get.







Law 1 - In the Age Darwinian Content, You are you own Editor


Law 2 - The Digital Dozen Will Dominate
A dozen or so multinational, multi-platform media companies will dominate global news and information.


Law 3 - Local: Remap and Reload
Local news companies are getting smaller and more local-oriented in their coverage as they struggle to find survival strategies.


Law 4 - The Old News World is Gone - Get over it



Law 5 - Mastering the fine Art of Use OPC
The Internet news revolution is creating new middlemen offering more reading and advertising choices.


Law 6 - It´s a Pro-Am World
The audience is talking back, engaging with each other and creating content.


Law 7 - Reporters Became Bloggers
We all know what a reporter is and what a blogger is, right? Guess again.


Law 8 - Itch the Niche
“General news” is dying. Topical products are taking its place.


Law 9 - Apply the 10 percent Rule
The heavy lifting of journalism can be aided and abetted by smart use of technology.


Law 10 - Media anda Marketers find New Ways to Mix and Macth
How viral marketing is being used by the media and to sway the media.


Law 11 - For journalists' Jobs, It´s Back to the Future
Journalist are taking a page from the history books, having to balance multiple skills and multiple gigs.


Law 12 - Mind The Gaps
We can see the blue sky of a journalism renaissance….but first we’ve to cross a chasm of pain.


As listas são formas fáceis de organizar pensamentos. Enquanto conteúdo na internet são apelativas e populares.

Têm surgido muitas nos últimos tempos direccionadas aos jornalistas. Tentando sintetizar novas formas de organizar o seu trabalho, enumerando elementos novos que de sevem acrescentar a um trabalho na Internet ou até mesmo como potenciar a sua visibilidade na Internet.

Assumindo que a profissão de Jornalista no futuro próximo será mais instável, maioritariamente freelancer e que os profissionais terão de encontrar primeiro o seu lugar no mercado de trabalho, a questão do marketing pessoal, nomeadamente nas redes sociais também não tem sido descurada.

Ken Doctor apresenta-nos estas 12 tendências para o futuro do Jornalismo. Num inglês americano de fácil entendimento e com um tom algo descontraído, entramos naquelas que são para autor os 12 vectores que delinearão o caminho dos media num futuro próximo.
Para ler de forma crítica, destilar a  dimensão americana e tentar perceber por onde nos encaminhamos por cá.



segunda-feira, 26 de março de 2012

Jornalismo, Comunicação e Cultura

“O jornalismo é um negócio e obedece a regras de mercado”, foi com esta declaração incómoda para uma audiência composta por futuros jornalistas que João Canavilhas abriu a sua intervenção nas últimas Jornadas da Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre.
Percebemos ao longo dos últimos anos que existem grupos empresariais que dominam os órgãos de comunicação social e que esses grupos funcionam sob uma logica capitalista: o lucro.
Por isso, e segundo Canavilhas, o Jornalismo de hoje tem de ter um valor de uso para que possa ter um valor de troca – preço – para poder gerar receitas.
Aplicada a qualquer outro produto este é um raciocínio lógico. No entanto, quando aplicado às notícias e ao trabalho jornalístico em geral surgem problemas éticos com os quais a classe profissional ainda não consegue lidar.
A revolução digital e o posterior boom de conteúdos na Internet veio trazer mais que um problema económico para os meios, criou também uma crise de identidade para toda uma classe profissional.
A profissão de Jornalista foi, durante todo o Século XX, mais que uma profissão,  um modo de estar na vida. Um trabalho emocionante, onde se poderia mudar o mundo com uma notícia.
Foi também uma profissão que se colocou sempre perante problemas éticos e que de um modo geral muito reflectiu sobre si, os seus intervenientes e o mundo.
O contacto com as fontes, a investigação e a busca da verdade faziam dos jornalistas pessoas informadas, na sua maioria cultas e atentas ao ambiente que as rodeava.
Nunca antes o resultado do trabalho dos jornalistas foi visto tão claramente como um produto e esse novo facto impõe-nos uma nova e demorada reflexão sobre o que é afinal ser jornalista nos dias de hoje.
Nunca os jornalistas foram trabalhadores conformados numa linha de montagem, hoje são. Cada vez mais confinados às suas secretárias, olhando para a máquina, ouvindo e absorvendo informação que lhes chega em segunda mão.
Esta nova realidade aliada à crescente instabilidade económica faz com que o produto jornalístico seja cada vez mais tratado como um conteúdo e não com a seriedade que uma notícia merece.
Não sou jornalista, apesar de essa ser a minha formação de base e a minha paixão.
Devido à minha experiência profissional olho para os media de um outro ângulo, o empresarial.
Interesso-me especialmente pelos novos modelos de negócio que temos de encontrar se queremos continuar a discutir os media no futuro.
Novos modelos de negócio para os media na Internet será então o fio condutor deste blogue, que surge como bloco de apontamentos na preparação da tese de mestrado e que espera receber contributos.